Em 28 de junho de 2003, o Diário do Nordeste publicou uma chamada para a nova leva de tiras do Capitão Rapadura, que chegava ao caderno Zoeira com força total.
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sábado, 28 de junho de 2014
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Conheça Mino, o pai do Capitão Rapadura!
A matéria a seguir foi concedia à reporter Kelly Garcia e publicada no blog do Diarinho. Em destaque há informações adicionais que não constam na publicação original.
Para festejar a estreia do Capitão Rapadura no rol dos super-heróis de meia idade, o Diarinho entrevista o seu criador, o cartunista Hermínio Macedo Castelo Branco, Mino. O pai de Rapadura começou na arte dos desenhos que nem a maioria das crianças, por volta dos quatro anos. Mas, dos cinco irmãos do herói cearense, os filhos de Mino: Magno, Maria Cecília, João Eduardo e José Eduardo, nenhum quis seguir a profissão do pai e nem a do irmão mais famoso, mas o pai garante que eles levavam jeito.
Em novembro (2013), o Fórum de Quadrinhos do Ceará lançou uma edição especial das historinhas do herói que tudo atura, reunindo vários quadrinistas e resgatando um pouco da trajetória do capitão Rapadura nos últimos 40 anos.
No evento, Mino leu um bilhete dele, que não pôde prestigiar a festa por estar em uma missão ultrasecreta. Saiba mais sobre o personagem e o seu criador na nossa entrevista!
Diarinho: Como e quando você resolveu criar o capitão Rapadura? Qual foi a sua principal inspiração?
Mino: O Capitão Rapadura era um desejo que eu tinha de ter um personagem de histórias em quadrinhos. Minha inspiração maior creio ter sido o Mickey do Walt Disney.
Diarinho: Por que escolheu esse nome?
Mino: Foi o nome que veio, inspirado.
Diarinho: Quais eram os seus super-heróis preferidos, quando criança? Você lia revistinhas, assistia filmes?
Mino: Lia quase todas as revistas em quadrinhos que eram publicadas no meu tempo de menino e adolescente. Nos filmes, gostava muito do Pica-pau, do Walter Lantz. (Nota do FQCE: em outras entrevistas Mino se refere também a Pecos Bill e Capitão Marvel como personagens favoritos de sua infância).
Diarinho: Na época em que o capitão nasceu, como era a vida das crianças de Fortaleza? Elas podiam brincar mais na rua?
Mino: Podiam ainda brincar nas ruas, em algumas ruas. A cidade cresceu e fez todo mundo voltar para o tempo das cavernas. As praças foram abandonadas.
Diarinho: Nas histórias, o único parente do Rapadura é o seu sobrinho. Por que só ele? Qual a história do Brinquedo? Onde estão os seus pais?
Mino: Brinquedo não é o único parente do Capitão. Foi o primeiro que foi criado. Os personagens por enquanto estão sozinhos, sem pai, sem mãe, sem irmãos. Mas a seu tempo irão aparecendo com a criação das historinhas. (Nota do FQCE: Seu Bola e Dona Boneca são os pais do Brinquedo, moram no interior enquanto o filho estuda na capital e mora com o tio. O Capitão Rapadura possui um avô chamado Virgulino e outros sobrinhos entre os quais o Chibatinha).
Diarinho: Nesses 40 anos, você já deve ter levado o Capitão Rapadura para conhecer muitas crianças. O super-herói cearense conhece outros Estados? Suas histórias já foram divulgadas em outros países?
Mino: Cap. Rapadura precisa primeiro conquistar Fortaleza, depois o Ceará, depois o Nordeste e se possível o Brasil. Mas tudo a seu tempo. (Nota do FQCE: nos anos de 1990 o Ghap It Estúdio distribuía a revista Capitão Rapadura para todo o Brasil via correio, graças a isso o personagem ficou conhecido por vários profissionais e leitores de outros estados, tonando-se inclusive um dos personagens favoritos de Flávio Colin, um dos ícones do Quadrinho Nacional).
Diarinho: Qual é o maior sonho do Capitão Rapadura? E o seu?
Mino: O maior sonho do Cap. Rapadura é pertencer a vida de muitas crianças, levando pra elas belas histórias e lições. O meu também é esse.
Diarinho: O Capitão não pensa em conhecer um grande amor, tipo a Lois Lane do Superman? Ele é um solteirão convicto?
Mino: O Capitão tem uma namoradinha chamada Rosinha, a flor do sertão. Não é um solteirão convicto, mas um romântico incorrigível. (Nota do FQCE: outra namorada que aparece constantemente nas revistas dos anos 90 e nas tiras de jornal é a Krypnonita, o principal motivo pelo qual o Super-Homem vem tão pouco ao Ceará. É imporntante lembrar que o casamento do Super-Homem quase não acontece porque Lois Lane era constantemente vista ao lado do Capitão Rapadura. A revista nº11-junho de 1998 é centrada no triangulo amoroso Super/Lois/Rapa).
Diarinho: Mino, você já pode falar sobre essa missão ultrasecreta que fez com que o Rapa não fosse para a festa dos seus 40 anos na Livraria Cultura? Nós vimos o bilhete que você leu para as crianças que estavam lá… (Nota do FQCE: Para saber a que a repórter se refere veja nesse link o Bilhete do Capitão Rapadura, uma missiva de agradecimento em ocasião da comemoração dos seus 40 anos).
Mino: As missões secretas do Capitão são tão secretas que as vezes nem ele sabe. Acho que ele estava presente na Livraria Cultura naquela comemoração dos quarenta anos, só que usando um dos seus disfarces.
Veja a entrevista no seu link original aqui
Veja no blog do FQCE a mensagem
de agradecimento do Capitão Rapadura.
Veja no blog do FQCE a mensagem
de agradecimento do Capitão Rapadura.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
MINO em matéria do Diário do Nordeste: Em Novas Aventuras
O criador do Capitão Rapadura e seus projetos foram foco de uma matéria bem completa no site do Diário do Nordeste. O texto redigido pela repórter Natércia Rocha explora a trajetória do Mino, suas publicações, personagens e projetos futuros (que já estão em andamento).
Veja a transcrição da Matéria:
" Um dos principais nomes do cartum no Estado, Mino prepara novos projetos para seu personagem mais famoso, o Capitão Rapadura
Historinhas, fábulas, textos, HQs, pensamentos, frases, quadros, murais, manias, vinhetas, ilustrações, contos, poemas. Esses são alguns itens da vasta lavra cultivada e colhida no universo criativo de um dos maiores cartunistas do País, nascido aqui em Fortaleza, Hermínio Macedo Castelo Branco, o Mino. Colunista do Caderno 3, ele publica aos sábados sua já tradicional The Mino Times.
Zanzão e Joli; Ranzinza, Ranaldo e Ranilda; Sapolino; Olalá, O gênio nacional; Zildete; Doutor Braz; Poeta Raimundo; Mimi, Chuvisco e Zé Catita; O rei e eu; Paulo, O coelho; ETúlio e ETília; Albert, Ondstais; Joaninha; Urubulino; Zarro; Emilho e Emilha; Iracema e Caubi; Miudinhas (as formiguinhas); Virgulino; Brinquedo; Goiabada; Dr. Mino; Madame Mina; Sei lá e Lassei; UG e BUG; Elvira, a mulher de mentira; Zé Piada; Sherezade e outros: grande parte dos 40 personagens criados por Mino estão na revista "Rivista". O título já vai na 113ª edição, com tiragem mensal pela Editora Riso e publicada pela Mino Produções. E o resultado não poderia ser outro. Entre as muitas atividades criativas elencadas pelo nosso fértil cartunista, ele faz uma revelação que merece destaque e atenção: Mino tem, nada menos, que 21 livros prontinhos, no ponto para serem publicados.
Mas, dentre todos os personagens criados por Mino, não há como negar, o Capitão Rapadura, o primeiro super-herói genuinamente cearense, é mesmo o mais popular. Por falar nele, onde estará aquela criaturinha que vem cativando admiradores desde 1973, quando chegou ao mundo através do episódio "Capitão Rapadura contra a Peba da Aldeota", sátira ao Bairro Aldeota que, na época (?), estava repleto de buracos.
Produção
"Produzo muito, todos os dias, sou disciplinado. Pela manhã, chego cedo e faço a agenda do dia, porque tem o escritório para tocar, tem a revista, depois começo a fazer os trabalhos de desenhos. Todos os dias faço uma tira do Capitão Rapadura, mexo com os personagens, faço revisão dos livros que quero lançar. Estou na fase de olhar o rebanho todinho para ver o que vai para o mercado. O Capitão Rapadura está pronto, mas tem alguns personagem com histórias a serem desenvolvidas. Os livros estão prontos, são 21, mas até agora só publiquei três pequenos: ´O menino iluminado´, ´A missão das cores´ e ´A luz de cada um´", conta.
Mino confessa que o super-herói sertanejo estava tirando um cochilo nas gavetas de seu escritório, que fica localizado ali no Bairro Papicu. Mas agora despertou com novidades alvissareiras, para alegria dos fãs e seguidores.
"Ele estava arquivado, mas, agora, reuni tudo do Capitão Rapadura. O importante é que estou fazendo um estudo de meu próprio trabalho. Deixei um pouco ele de lado, estava buscando o traço e encontrei o traço e o caráter. Ele não é violento, não dá soco em ninguém, as saídas que encontra são todas pela inteligência. O Rapadura é engraçado, ecológico, às vezes se transforma no Rapadura Negra e sai soltando os passarinhos presos por aí".
Manuseando as pastas organizadíssimas, onde separa o material que trará fôlego novo ao seu filho mais ilustre, Mino continua. "Pensei: o que vou fazer com Capitão Rapadura? Jogar fora? Acabou a história dele? Quanto fui ver, vi que não poderia fazer isso, porque tem muita coisa pronta, programação visual para chaveiro, lápis, bermuda, toalha. Ele é um personagem pronto para ser lançado. Ao longo dos anos, venho recebendo muitas mensagens, alguém sempre fala, diz que viu por aí, conhece, mas pouca gente já leu alguma revista dele. O Capitão Rapadura existe na cabeça das pessoas, ele é querido. Me empolguei e minha fase agora é cuidar dele", revela
Identidade visual
E a gente se pergunta: mas quem é esse homem por capaz de dar vida a tantos personagens engraçados e sábios, tudo de um jeito simples, só tirando e colocando graça de onde menos se espera? Na tarde em que recebeu o Caderno 3 em seu escritório, Mino falou longamente de sua trajetória.
"Em 1965, entrei para a Faculdade de Direito, peguei as passeatas, fiz parte do diretório, desenhei muito cartaz. Foi nessa fase que me lancei como desenhista. Também, aqui em Fortaleza, na TV Ceará, desenhava no programa ao vivo, era o repórter nacional da época, chamava-se Repórter Cruzeiro, quando começava a notícia, eu começava a ilustrar. Depois, em 1967, fui para o Rio de Janeiro e conheci o Ziraldo. Foi aí que ganhei o nome de Mino. Ziraldo quando viu meu cartoon disse: ´mas seu nome é muito comprido, Hermínio não é nome de cartunista, não tem um nomezinho mais curto? E eu disse que meu apelido em casa era Mino. Ele disse: ´pô, e você com um nome desse!´. Daí passei a assinar Mino. Deixei não sei quantos desenhos na Revista Cruzeiro e vim para cá, depois passei a colaborar um pouquinho com o Pasquim. Mandei desenhos para revistas da época, Fatos e Fotos, Status. Antes, eu trabalhava fazendo marcas, programação visual. Foi quando resolvi montar meu próprio ateliê, então, o que viesse, eu fazia. Era como uma loja, entrava e pedia o que queria, foto da mulher, ilustração do livro, marca da empresa: era desenho, era comigo. Passei uns 10 anos fazendo isso e me deu base porque, à medida que entrava no desenho mais técnico, quando voltava para o cartum, estava com o traço mais refinado", rememora.
The Mino Times
Semanalmente, Mino produz uma página semanal de humor, a The Mino Times, aqui, no Diário do Nordeste. O cartunista cearense já participou e foi premiado em diversos salões de humor nacionais e internacionais, fazendo parte, dentre outras, da antologia "Rússia-Brasil em defesa da natureza", da Exposição Itinerante da Aliança Francesa, além de um importante trabalho, "Os Peixes", publicado na Slapstick, periódico alemão de humor. Mino também é o responsável pelo grande mural Terra da Luz, localizado no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza.
"Recebi influência de todo mundo. Nunca deixei nenhuma porta fechada. Se tivesse vontade de desenhar parecido com Picasso, fazia. O Ziraldo influenciou meu traço, Millôr Fernandes, Jaguar, e eu deixava livremente essa coisa acontecer. Uma vez perguntei como eu iria resolver esse problema, porque queria ter um estilo, mas meu desenho sempre estava agarrado a algum outro desenho. Aí o Millôr disse que eu estava esnobando, disse que o próprio Picasso admitia que um pintor imitasse outro pintor, mas nunca imitasse a si próprio, se repetisse. Fui tendo esses mestres e encontrando meu caminho na pintura. Juntei desenho com pintura e deu o mural do aeroporto, ali foi um estudo fantástico! Porque eu tinha formação do desenhista de história em quadrinho. Quando fui fazer a história do Ceará no mural, o Terra da Luz, pensei em fazer preto e branco, por causa do cordel e tal. Mas um dia estava na missa, lá na Catedral da Sé, e reparei naqueles vitrais coloridos e disse: vou colorir aqueles desenhos, o Ceará tem muita luz, as mulheres são coloridas, nossa natureza é colorida. Por isso fiz aquela estamparia toda, coloquei muitas cores, surrealista mesmo, tem gente de rosto verde, camaleão vermelho, tudo contando a paisagem cultural e natural do Ceará".
NATERCIA ROCHAREPÓRTER "
Link para a matéria do Diário do Nordeste.
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